Afinal, para que serve um blog?



Nos últimos meses, a constatação de uma realidade incômoda tomou conta de mim e me deixou aterrorizada: estou há anos perdendo tempo na frente de uma tela. Quantas horas foram? Nem imagino, mas sei que foram mais do que devia. Fazendo o que? Algo de útil? As vezes. Algo inútil? A maior parte do tempo.  A televisão, o computador e o celular tornaram-se os melhores amigos de uma garota que se acostumou, embora não gostasse, de passar a maior parte do tempo sozinha, por circunstâncias que a própria vida impôs, e que precisava se distrair. Assim, o brilho e as cores das telas facilmente passaram a ser um espécie de companhia vazia e barulhenta que apesar de não saciar, fazia esquecer a fome. Pois o barulho fazia esquecer a solidão, pelo menos um pouco por um tempinho, e o brilho trazia distração do mundo real.

Mas que coisa terrível é fugir da vida real!Que veneno doce e de ação lenta é a fuga. Sua vida acaba sem você perceber. Você acha estar dormindo, mas está morrendo.

No entanto, não precisa ser assim para sempre, é possível dizer "chega!" e mudar o rumo de nossa própria história, parar de fugir e tomar as rédeas de nossa própria vida, ainda é possível mudar o que não está bom, pois enquanto há vida há esperança. E eu quero mudar e quero querer mudar! Sei que não adianta culpar o fato de ser parte da "geração Z", que  não posso voltar atrás, nem mudar o que passou, mas posso aprender com tudo isso e usar a insatisfação atual como um encorajamento para mudar e me preparar para um futuro melhor.

Acredito que, a primeira vez que eu soube da existência dos blogs foi com aqueles filmes teen dos anos 2000 e que moldaram muito, infelizmente, minhas expectativas sobre como seria a vida enquanto eu crescia. Talvez os primeiros blogs de vida real que descobri foram os associados a revista Capricho, depois disso encontrei outros espaços independentes dedicados a publicação de fanfics, resenhas de livros e etc. Lembro que aquela garotinha carente de atenção logo se dedicou a querer um blog também e a pesquisar como fazer isso acontecer, mas ela não queria um blog qualquer, ela queria um blog especial e tão legal quanto o da coleguinha, em suma, ela queria ser legal também. 

Acho que muita coisa que impactou o inicio e toda minha adolescência teve a ver diretamente com as inseguranças. Olhando para trás, me percebo uma garota que simplesmente queria estar incluída em algo grande, em um grupo e como isso não parecia ser possível na vida real, talvez fosse no mundo virtual.  E assim, eu tive a oportunidade de ter dezenas de blogs sobre os mais diversos temas: livros, textos autorais e até moda veja só... Eu procurava imitar o que eu gostava nos outros porque achei que assim poderia encontrar em mim algo de que gostasse. Não funcionou. 

Nem tudo foi uma perda de tempo inútil. Com aquelas tardes e noites online pude aprender algo de programação html, edição de foto e descobrir que gosto de escrever (ser boa nisso é outra coisa) e sei que passarei a vida trabalhando para melhorar nesse hobbie. Fiz alguns amigos virtuais e descobri nos últimos anos bons professores que tem me ensinado muito sobre história, literatura, catecismo e sobre eu mesma.  Também descobri que gosto e quero me comunicar com as pessoas. Comunicar o que? tudo! A vida é tão bonita e tem tanto a oferecer. Todas as dificuldades, todos os sofrimentos oferecem oportunidade de crescimento e de servir ao outro. Usar palavras, colocar pensamentos em composições harmonicas de substantivos, verbos e adjetivos que quando se unem dão sentido e forma aquilo que antes estava enterrado dentro do coração humano, e finalmente, aquele grande emaranhado disforme passa a ser algo compreensível e possível de se lidar,


A reflexão que eu tive, e mencionei no inicio desse texto, me fez admitir, finalmente, que sou viciada em redes sociais e internet. Minha curiosidade desordenada sobre as coisas da vida me faz passar horas e horas rolando feed e vendo videos no YouTube. Não cuspirei no prato em que comi, sei que dessas horas intermináveis na frente de uma tela pude tirar algum proveito e talvez até por causa desse tempo pude chegar as conclusões e reflexões de agora, mas chegou a hora de fazer uma limpeza. 

Retomar algo começado a alguns anos quando abandonei o twitter e graças a isso pude ter mais clareza nos meus pensamentos, o que consequentemente me fez abandonara o feminismo, o comunismo e depois me reencontrar na fé católica. Acho que preciso continuar com essa limpeza, dedicar o espaço em meu cérebro, antes usado para o conteúdo interminável contido na internet, com coisas mais úteis e focar minha curiosidade em coisas úteis da vida real e não no "tour pelo quarto" de uma desconhecida.

O problema, para mim, não é a internet ou as redes em si, mas sim a falta de equilíbrio.  Cheguei ao ponto em que reconheço que não sou eu que uso as telas, mas as telas me usam (sei que não sou a única). E é tudo tão inútil! Quanta doença emocional e psicológica sendo gerada nessa geração pela falta de um olhar focado na vida real! 

Quão patético seria estar a beira da morte, olhar para trás e lembrar que a vida foi desperdiçada enquanto se assistia a vida de outras pessoas e não se vivia a própria vida.  Qual o legado de passar horas no Instagram, no YouTube e companhia?  

Então é isso, abandonei o twitter de vez, nunca fiz tik tok (graças a Deus), não abandonei o Instagram, MAS quero diminuí drasticamente o tempo de uso (só falho se cair na cilada de olhar os reels/stories) insisto em permanecer por lá, mesmo que pouco, pois sigo pessoas que falam sobre fé e desenvolvimento pessoal que muito me ajudam e agradam, MAS fiz uma limpeza nas pessoas que eu seguia e de 800 "seguindo" pude depois de alguns meses chegar a marca de 195 e sinto que ainda posso limpar mais conforme me desapego. Ah! Essa foi uma outra grande descoberta também: a forma como é possível se apegar a gente que nem conhecemos de verdade ou que já não fazem mais parte do nosso circulo de amigos. Que fazem parte do nosso passado e com quem não conversamos mais. 

Esses perfis só servem  pra saciar a "maria fifi" que existe em cada uma de nós e que precisa ser controlada, qual o sentido de bisbilhotar a vida das pessoas? Isso atrapalha nossa vida gerando comparação e inveja,  Também fiz uma limpeza no YouTube, mas ainda preciso melhorar muito. Não vou desistir. O foco agora é criar uma nova rotina onde eu possa: estudar, rezar e me exercitar. Ocupar bem o meu tempo pra não sentir falta das distrações.

Chegamos, então,  FINALMENTE a pergunta do titulo: afinal, para que serve um blog? Se estou procurando largar esse mundo virtual o máximo possível, para que ter esse espaço? Não seria mais uma tentação?  

A diferença de um blog para uma rede social é muito clara: o ritmo. Esse blog pode ficar sem posts durante anos ou ser atualizado todos os dias, vai depender unicamente de mim a responsável por esse espaço. Então, aquela ansiedade de ver os posts de todo mundo, de postar tudo aquilo que faço fica mais inibida. Além disso, um simples texto como esse leva algum tempo para ser escrito. Preciso parar, refletir e pensar nas palavras que quero usar para tentar me expressar bem. Assim, esse blog pode ser algo útil na grande teia da internet, pelo menos para mim, pois além de consumir conteúdo de pessoas estranhas, posso eu mesma produzir alguma coisa. 

Uma conversa no mínimo precisa de duas pessoas, caso o contrario é um monologo. Nessa conversa com a internet estou cansada de só ouvir e ler, eu também quero falar, e não digo isso por aspirar que com a minha fala eu possa dar soluções para os problemas da sua vida ou da humanidade, eu não sei de nada! Só aspiro poder colocar para fora a confusão que por muito tempo ficou presa aqui dentro, afinal, labirinto visto de cima é mais fácil de ser resolvido.

Esse bog serve também, como uma forma de realizar uma das aspirações da Fernanda de 11 anos de idade, só que dessa vez meu maior interesse não é ser popular, ter muitos seguidores, comentários, pessoas me elogiando e servindo como um band aid em  uma autoestima ferida. Dessa vez eu quero simplesmente escrever. Eu quero muito amadurecer, crescer e documentar de modo singelo tudo isso. E quem sabe, daqui a 10 anos (se o google/blogger não deixarem de existir) eu poderei reler tudo isso e ter o coração aquecido em gratidão a Deus que sempre está comigo nesse longo vale que é a vida nessa terra. Não estar sozinha é um grande consolo agora e será um grande consolo para minha "eu" do futuro constatar isso mais uma vez. 

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