Casa de Vó


Quando eu era criança minha mãe e eu sempre passávamos os domingos na casa da minha Vó. Acho que chegávamos depois do café da manhã e voltávamos para casa só no final da tarde ou depois que o sol já tinha se posto. Aquela casa simples e baixa, no meio de um morro alto e com um quintal enorme com arvores foi por muitas vezes o palco das minhas aventuras. 

Foi lá que eu brinquei e briguei com os primos, levei as minhas bonecas para passear, dormi na rede e no sofá depois do filme da tarde, ouvi os adultos conversarem, banhei na pia -quando ainda cabia-  e na piscina de plástico, arranquei as folhas das arvores pra fingir que eram notas de dinheiro, me ralei e chorei, depois levantei e brinquei mais, toquei a campainha dos vizinhos e saí correndo -ou prometia entregar os primos que aprontassem essa- fiz tudo isso até que finalmente parei. Esses longos dias de domingo, que há muito já se foram, pouco me vinham em mente a medida que eu crescia, mas mesmo sem destaque deixaram a sua marca na minha infância.

A casa de Vó é também uma casa de lembranças, um lugar repleto de memórias do passado e onde continuam sendo feitas novas memórias. É o ponto de encontro da família em muitos momentos, é onde eu e meus primos crescemos e agora, já crescidos, vemos os primos mais novos crescerem.

Dia desses voltei na casa de Vó. Percebi que hoje, mesmo sem Vó - que Deus a tenha- a casa  continua no mesmo lugar e quase do mesmo jeito, mas eu mudei. Percebi que a casa não era tão grande quanto eu me lembrava e  nem tão alta, eu que era pequena e cresci. A lembrança que eu tinha estava distorcida pela idade e pelo tempo. Olhei para os bibelôs da decoração, já gastos pelo tempo,  e me lembrei das vezes em que encarei aqueles mesmos objetos em uma outra época, sendo uma outra "eu".

A nostalgia que vem nesse momento não é ruim, muito pelo contrário. É bom perceber como o tempo passou e como apesar das dificuldades há muito mais pelo o que agradecer do que reclamar. A vida é boa, a vida é um milagre!




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