Durante minha vida inteira morei na mesma cidade e sempre tive os mesmos arredores. Justamente por isso meu maior sonho, desde que me lembro, era o de poder sair daqui, explorar o mundo e "ser livre". Sempre fui alguém bem caseira, não gosto de festas, nem lugares cheios e muitas atividades sociais me deixam esgotada por um tempo, o que faz de mim alguém que passa muito tempo em casa, principalmente agora quando sequer posso ir á as aulas na Universidade.
Estar trancada em casa, contra minha vontade, por um tempo ainda mais longo que o normal começou a me deixar ainda mais sedenta por novos ares, e já que eu não podia sair comecei a seguir diversas pessoas na internet de diferentes partes do mundo que vivem em suas casas aconchegantes perto da natureza e são envoltos pelos sons dos pássaros e a beleza natural. Confesso assistir esses vídeos no Youtube e ver as fotos no Instagram muitas vezes suspirando e desejando com todo o coração "ah! queria estar em um lugar assim" e quando eu estava deprimida por vezes cheguei a desejar até ser oura pessoa.
Tudo isso pois não conseguia encontrar beleza ao meu redor.
Sou um alguém que precisa da beleza, e eu não a encontrava perto de mim.
Esse ano tenho vivido um grande tempo de mudanças, nada extremo aconteceu no meu externo, mas vêm acontecendo no meu interior e embora talvez eu não consiga explanar claramente sobre isso por agora, afinal ainda estou em processo não sei se consigo reparar bem tudo que já mudou ou tudo que ainda está em mudança, posso dizer que uma das coisas que tem mudando em mim lentamente é a minha forma de ver o mundo. Um ano atrás eu estava quase sempre brava, ou triste, raramente sorria ou me sentia feliz, eu prestava mais atenção na feiura do mundo, do pais, da sociedade e da rua em que vivo, mas venho aprendendo aos poucos a focar e agradecer pela beleza, mesmo em meio a feiura
Por exemplo, por mais que eu sonhe em ser um tipo de "Branca de Neve" que permanece morando em um chalé na floresta e no momento eu more num lugar de rua movimentada, barulhenta e meio suja , com bares barulhentos, eu escolho no agora focar em ser contente pois tenho um lar, pois tem um pé de cajá enorme na frente da minha janela, onde os passarinhos pousam de manhã e voltam a noite para dormir, e por mais que seja só um pé de cajá e um pé de coco, eles estão aqui. Lá longe tem prédios feios, mas também tem os picos dos morros que circulam a cidade. Eu pinto as paredes de meu quarto e torno ele um lugar mais bonito e que me agrada mais
Eu não quero, ser coach nem nada, não quero falar sobre uma gratidão esvaziada de sentido que se popularizou na internet. só quero dizer que o habito de morar aqui a vida inteira, me cegou para as possibilidades de beleza que podem e existem ao meu redor e eu achava que só poderia haver beleza onde eu não estava. Eu só reclamava e sentia inveja de não ter o que eu achava ser o ideal nas fotos de Instagram por não morar dentro de um video do YouTube.
Mas tenho aprendido a ser grata pelas pequenas coisas , porque tenho e porque é meu.
Encontrei nas notas do meu celular um versinho que tinha escrito há muito tempo e esquecido, mas que vale apena a lembrar daqui para frente:
"seja muito ou pouco
seja grande ou pequeno
valorizemos o temos
porque é nosso
porque temos "
Escrito dia 03/10/2021

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